quarta-feira, setembro 17, 2008

ESPERA

Horas, horas sem fim,
pesadas, fundas,
esperarei por ti
até que todas as coisas sejam mudas.

Até que uma pedra irrompa
e floresça.
Até que um pássaro me saia da garganta
e no silêncio desapareça.

Eugénio de Andrade

Um comentário:

Janaina Amado disse...

Escuta, escuta: tenho ainda / uma coisa a dizer./ Não é importante, eu sei, não vai/ salvar o mundo, não mudará / a vida de ninguém - mas quem / é hoje capaz de salvar o mundo / ou apenas mudar o sentido / da vida de alguém? / Escuta-me, não te demoro./ É coisa pouca, como a chuvinha / que vem vindo devagar./ São três, quatro palavras, pouco / mais. Palavras que te quero confiar,/ para que não se extinga o seu lume,/ o seu lume breve./ Palavras que muito amei,/ que talvez ame ainda. / Elas são a casa, o sal da língua."
(Eugénio de Andrade, "O Sal da Língua")



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