em mais um dia quente de primavera.
Sem ar condicionado, janelas abertas,não tenho trocados para doar ao lavador de parábrisas.
Minhas narinas reclamam
da poluição carbonífera.
Uma fuga pela direita
encontra obstáculos.
Nenhuma esquerda
nos dá mais esperanças.
Versos radiofônicos,
saídos da boca do poeta
tentam animar a persistente depressiva torrente de veículos.
Engarrafamentos são mundos
em rota de colisão,
absurdamente abandonados,
na insólita percepção do caos migratório,
para além do infinito céu, pintado de anilina, sem nuvens ou ventos a refrescar a sorte de uma rápida chegada ao destino almejado.
Paciência e calma,
precisa-se, nesses minutos horas.
Pulsação, revolta e conformismo.
Ansiedade e engarrafamento a me enjaular.
Alívio só para os motoboys
que singram em espaços apertados,
apressados, porém arriscados.
Para onde caminha essa humanidade,
desumana?
Puta que pariu.
Por sorte amanhã começam minhas férias.








