quarta-feira, outubro 31, 2007

Prima Vera

Calor e suor sobressaltam a nave cotidiana,
em mais um dia quente de primavera.

Sem ar condicionado, janelas abertas,não tenho trocados para doar ao lavador de parábrisas.

Minhas narinas reclamam
da poluição carbonífera.
Uma fuga pela direita
encontra obstáculos.
Nenhuma esquerda
nos dá mais esperanças.

Versos radiofônicos,
saídos da boca do poeta
tentam animar a persistente depressiva torrente de veículos.

Engarrafamentos são mundos
em rota de colisão,
absurdamente abandonados,
na insólita percepção do caos migratório,
para além do infinito céu, pintado de anilina, sem nuvens ou ventos a refrescar a sorte de uma rápida chegada ao destino almejado.

Paciência e calma,
precisa-se, nesses minutos horas.

Pulsação, revolta e conformismo.
Ansiedade e engarrafamento a me enjaular.
Alívio só para os motoboys
que singram em espaços apertados,
apressados, porém arriscados.

Para onde caminha essa humanidade,
desumana?
Puta que pariu.

Por sorte amanhã começam minhas férias.

sexta-feira, outubro 26, 2007

Minha sala de jantar
tem um espelho
que evito olhar.
Guardo ilusões
para os dias difíceis.

Falam que zeros à esquerda
são sem valor.
Sinta-se um zero e
verás
que todos zeros
são iguais,
sem amor.

Corra da solidão.
Encontre alguém,
depois de encontrar
você.
Abra portas e janelas e
conecte-se com o irreal.
Suba, pule, sonhe,
embarque na imensidão.
Carregue nos ombros
a leveza e a dureza do ser.
Assim estarás,
algum dia,
repleto de paz.

Quando submergir
desse calabouço de fantasmas,
montarei a motocicleta e
sobre duas rodas, voarei como um
albatroz,
que plaina na brisa matutina
e à noite dorme tranqüilo.

Atenderei teu chamado, Maria.
Amarei contigo na areia da praia.
Serei teu Ilê,
o mais belo entre belos.
Sou quem sou mesmo sem saber
quem sou e assim será.

Enxugarei tuas lágrimas,
Maria.

quinta-feira, outubro 25, 2007

Matizes em preto e branco

Duas vezes me falaste do azul
entre as frestas da janela
da tua prisão matinal

Matizes do mar
Lampejo de vida livre,
refrescante

Em minhas andanças
fotografei, pra você,
um mar calmo, amplo
me convidando sem amarras
sem vendavais,
a sentir a brisa do teu hálito
cor-de-rosa.

Embriagar-me na maciez
dos teus cabelos negros.
Na alvura da tua pele,
escorregadia, excitante.
Mulher multicolorida,
escrevi teu nome
em preto e branco.

segunda-feira, outubro 22, 2007

Vida Animal

Bichinhos de estimação do Zôo Rolf, Pojuca -Ba.

quinta-feira, outubro 18, 2007

Projeto Poesia na Boca da Noite

Martha e Wesley, poetas da noite.














Daqui de casa
seguro a noite em meu peito.
Agarro a noite à unha
como um grande e velho touro negro.
Com um fio de voz
mantenho a lua suspensa (imensa).

Se eu dormir
a noite desmorona.

Martha Galrão
http://www.mariamuadie.blogspot.com/










Martha

Queria apenas dizer umas coisas sobre ontem. Revelar alguns fragmentos do que vi e ouvi ontem no Poesia na Boca da Noite.

Quando teu silêncio finalmente rompeu-se, passava das oito, e a platéia privilegiada emudeceu espantada pela fluida correnteza das palavras.
A voz incerta encontrou substância na própria parole, e encheu a sala e corações com sonoras “marteladas”, chamando nossas consciências para introspectar num abismo de pensamentos sinceros, femininos, questionadores e filosóficos.
A alma, da ex-muda, desnudou-se para os ouvintes. Ao final de cada poema lido, admirável, sempre, aplausos. Quanta beleza guardada em lirismo.
Monografia concluída, versificadamente, polissilábica, posgraduou-se a poeta na boca da noite.
Para os mais próximos foi momento de, marulhosamente, admirar o ritmo que a inspirada poeta dava aos versos já conhecidos. Ouvimos e sentimos, todos, o peso das ditas, benditas, mas nunca malditas, palavras.
Sentado na primeira fila, saboreie tudo que tinha direito, as palavras, os sorrisos, o perfil adorável, a sensualidade, a inquietação, as dúvidas, o prazer, o ego merecidamente inflando e o olhar procurando, reconhecendo queridos amigos.
Alegre noite de versos, estavam presentes os que podiam e queriam. Perderam os que não chegaram. Serão avisados da próxima vez.
Homenageados fomos eu, namorado enamorado, e Beatriz, a menina adolescente. Fui aquele que vestiu a poeta. Aquele que a levou para casa nessa noite de sorte, noite de elogios e descobertas. Felizardo ganhei beijos e mais e mais palavras, confidências, promessas, amor.
Que o curso de nossas vidas rumo ao norte, sul, leste, oeste, noroeste, sudoeste, continue a encharcar nossos lençóis. A casa de paredes brancas na vila do Imbuí servindo de refúgio inspiração para versos consentidos, espirralados, adocicados, na medida exata do café das seis. Palavras magnificadas pela deusa mulher.

sábado, outubro 13, 2007

Cinco momentos na Fazenda Roda D'Água








1. Silêncio. 2. Bichário. 3. Flor silvestre. 4. Catraca e família.
5. Beatriz.

quarta-feira, outubro 10, 2007

Queria te contar meu silêncio
mas silêncio é pedra e não fala.
É tarde.
Coloquei silêncio nos bolsos
caminhei para o mar.
Longe e fundo me situo
Ninguém poderá me encontrar.

Martha Galrão
http://www.mariamuadie.blogspot.com/


Amostra grátis do Poesia na Boca da Noite, próxima terça.
Dia 16/10, Restaurante Grande Sertão, às 20 horas.

segunda-feira, outubro 08, 2007

Totemismo

Torcer e sofrer na Fonte Nova.

sábado, outubro 06, 2007

Noite com amigos



Abraços, sorrisos, presentes, surpresas.
Ausências, lembranças, informes.
Vinhos, cerveja, aperitivos.
Tomate seco, camarão proibido.
Jantar, histórias antigas, novas risadas.
Novas histórias, velha cumplicidade.
Cupuaçu, chocolate, torta, café e o sofá outra vez.

Uma hora no relógio quebrado.
Tempo parado.
Licença para viver sem pressa.
Ouvir a mulher de fala sensual.
Palavras fortes, inteligentes, claras, importantes e
bobagens divertidas.

Sob o olhar do amante vouyer,
O vestido novo ficando curto
No vai e vem das pernas roliças.
Direita pra esquerda, esquerda pra direita.
Conserta, puxa pra baixo,
volta a subir, noite adentro,
na sala do relógio do tempo parado.

Em casa, sono embalado pelos assobios dos
pássaros da madrugada fazendo serenata, enfim sós,
enfim nós, eu, você e os fantasmas, na rua das gaivotas.

Haroldo Abrantes

quinta-feira, outubro 04, 2007

Devolvam meu Bahia

Democracia tricolor, ampla geral e irrestrita.



Somos da turma tricolor,
Somos a voz do campeão,
Somos do povo o clamor,
Ninguém nos vence em vibração!


Vamos, avante, esquadrão!
Vamos, serás o vencedor!
Vamos, conquistar mais um tento!
Bahia, Bahia, Bahia!
Ouve esta voz que é teu alento!
Bahia, Bahia, Bahia!

Mais um! Mais um, Bahia!
Mais um, mais um título de glória!
Mais um! Mais um, Bahia!
É assim que se resume a tua história!


Adroaldo Ribeiro Costa E Agenor Gomes