Conheço uma mulher estranha
que nunca precisou correr atrás
de nenhuma palavra.
Elas sempre vieram até mim.
Essa mulher não tem
palavras guardadas,
vai encontrando palavras
independentes de mim.
Vejo estrelinhas pelo canto do olho.
Vejo monstrinhos de mercúrio
e espermatozóides em superfície branca.
Vejo vazios
e os pedaços que faltam.
Me falto. Me ausento.
Me mato.
Ela observa as palavras
que atravessam a sua carne.
Eu, essa mulher permeável.
Permeável: que permite passagem.
Permite passar outros corpos
por seus poros,
por sua pele,
por sua alma.
Martha
