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quinta-feira, agosto 25, 2011
.... Cigarras
Cigarras são palavras femininas
mas é no abdome do macho
que os timbais implodem.
O canto estridente masculino
convida as fêmeas para a morte.
A lamúria das cigarras
é só dos machos.
Será remorso?
O grito cortante
lamenta as ninfas que descem
e se enfiam, e se escondem e se enterram
para em silêncio sugar
a seiva das raízes.
As cigarras ignoram suas asas
grandes, transparentes e bordadas,
agarram-se aos troncos e galhos
para espalhar em uníssono
seu canto doloroso e amargo.
Ao entardecer,
hora mais triste do dia,
os machos choram
até rebentar minhas costas.
Sob o canto lancinante
das cigarras
eu e as lobas uivamos
dolorosas.
Martha Galrão
terça-feira, agosto 23, 2011
domingo, agosto 21, 2011
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terça-feira, janeiro 13, 2009
To friends that I not see for a long time

Olá, como vai ?
Eu vou indo e você, tudo bem ?
Tudo bem eu vou indo correndo
Pegar meu lugar no futuro, e você ?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranquilo, quem sabe ...
Quanto tempo... pois é...
Quanto tempo...
Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios
Oh! Não tem de quê
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona ?
Precisamos nos ver por aí
Pra semana, prometo talvez nos vejamos
Quem sabe ?
Quanto tempo... pois é... (pois é... quanto tempo...)
Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge a lembrança
Por favor, telefone, eu preciso
Beber alguma coisa, rapidamente
Pra semana
O sinal ...
Eu espero você
Vai abrir...
Por favor, não esqueça,
Adeus...
Adeus...
composição Paulinho da Viola
Eu vou indo e você, tudo bem ?
Tudo bem eu vou indo correndo
Pegar meu lugar no futuro, e você ?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranquilo, quem sabe ...
Quanto tempo... pois é...
Quanto tempo...
Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios
Oh! Não tem de quê
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona ?
Precisamos nos ver por aí
Pra semana, prometo talvez nos vejamos
Quem sabe ?
Quanto tempo... pois é... (pois é... quanto tempo...)
Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge a lembrança
Por favor, telefone, eu preciso
Beber alguma coisa, rapidamente
Pra semana
O sinal ...
Eu espero você
Vai abrir...
Por favor, não esqueça,
Adeus...
Adeus...
composição Paulinho da Viola
sexta-feira, janeiro 02, 2009
segunda-feira, dezembro 01, 2008
quarta-feira, outubro 01, 2008
sábado, setembro 27, 2008
quarta-feira, setembro 17, 2008
quinta-feira, agosto 28, 2008
Aquém da profundidade
Conheço uma mulher estranha
que nunca precisou correr atrás
de nenhuma palavra.
Elas sempre vieram até mim.
Essa mulher não tem
palavras guardadas,
vai encontrando palavras
independentes de mim.
Vejo estrelinhas pelo canto do olho.
Vejo monstrinhos de mercúrio
e espermatozóides em superfície branca.
Vejo vazios
e os pedaços que faltam.
Me falto. Me ausento.
Me mato.
Ela observa as palavras
que atravessam a sua carne.
Eu, essa mulher permeável.
Permeável: que permite passagem.
Permite passar outros corpos
por seus poros,
por sua pele,
por sua alma.
Martha
segunda-feira, junho 23, 2008
A lenda do primeiro gaúcho
Século XVIII.
Uma partida de brasileiros atravessa as verdejantes campinas do Rio Grande do Sul. Impulsionados pela necessidade de braços para as lavouras, buscam o índio.
Hão de avassalar as tribos ocupantes daquela região. Com esta disposição, viajam bem municiados e armados.
Os índios minuanos, avisados pelas sentinelas da aproximação dos brancos, montam em seus fogosos cavalos e, armados de flecha e boleadeiras e lanças, deixam seu acampamento e rumam para as coxilhas.
Ao avistar os brasileiros se aproximando, os índios usam de sua tática de ocultar-se ao longo do dorso dos cavalos. Destarte, dificilmente seriam descobertos pelos inimigos.Imóveis, esperam eles o momento azado para atirar-se sobre os viajantes.
Os brasileiros não são conhecedores dos hábitos e da tática empregada pelos índios habitantes das campinas do Sul. E avistando à distância o bando de cavalos pastando, tomam essa direção, muito senhores de si.
Assim, ao se aproximarem os brasileiros, os índios despencam-se nos seus animais do cimo das coxilhas, em galopada, investindo contra os brancos com furiosa saraivadas de flechas. Respondem estes com tiros de armas de fogo. Nova investida dos índios, agora se servindo-se das lanças, obriga os invasores a fugir em desordem.
Caído por terra acha-se um moço ferido. Ao seu lado uma jovem índia minuano. Fascinara-a a coragem do estrangeiro.O brasileiro sabe da sorte que o espera. E, interrogando a moça quando será sacrificado, responde-lhe esta que nada tema, pois estará a seu lado. Anima-o com palavras confortadoras, cheia de simpatia e compaixão pela sorte do estrangeiro. O prisioneiro é levado para o acampamento dos minuano.
Enquanto esperam que se cure da ferida para sacrificá-lo, dão-lhe toda liberdade sob vigilância das sentinelas.
O jovem branco resolve fazer uma viola. Uma tarde, à sombra de uma árvore, com a pouca ferramenta de que dispõe, a muito custo vai improvisando um rústico instrumento. Inicialmente aparelha, em forma de espessa tábua, uma pau de corticeira. Cava-a dando-lhe a forma de viola. Coloca uma tampa com abertura circular para dar vibração ao som das cordas. Para colar a tampa emprega o grude de parasita sombaré, das árvores da serra. E da própria fibra da parasita ele prepara as cordas para o instrumento.A índia já lhe tem muita amizade e está sempre ao seu lado nas horas de folga. Enquanto o vê trabalhar, canta-lhe suavemente um canto doce e pitoresco da gente minuana.
Ainda não passara um lua, e já, na grande ocara do acampamento, celebra-se o ritual do sacrifício.Amarrado a um tronco está o prisioneiro.
Todos os índios da nação, reunidos em volta dele, dançam e cantam a sua morte. De quando em vez, passam, de mão em mão, cuias contendo delicioso vinho fabricado com o mel eiratim.Há um silêncio de morte em todo o acampamento.
O chefe minuano ordena que soltem o prisioneiro e tragam-no à sua presença.
Fitando o moço bem nos olhos, assim fala o cacique:-Que aos teus irmãos sirva de lição esta última derrota. Que não nos tornem a vir incomodar. Os que vierem nestes campos buscar escravos, hão de ser esmagados pelas patas de nossos cavalos. E tu, pagarás com a morte a tua audácia e a dos teus!Contudo, o chefe minuano diz ao condenado que faça o seu último pedido.Surpreende-se o branco com tal gesto. E, dotado de uma inteligência não vulgar, num relance percebe como poderá livrar-se da morte. Sabendo da emotividade e a influência que exerce a música sobre aquelas criaturas, pede que lhe tragam o seu instrumento de cordas. Quer tocar pela última vez. Cantar uma balada de sua terra.
É a jovem índia quem lhe traz a sua viola, debaixo dos olhares curiosos dos índios.Cheio de fé, o moço pega da viola. Depois de alguns sonoros acordes, entoa uma canção. E o ricto bárbaro daquelas fisionomias rudes transforma-se como por encanto.Ouve-no com enlevo, exclamando a todo instante: - Gaú-che! Gaú-che!... o que significa: gente que canta triste.Sensibilizados pela doce cantiga do condenado à morte, os índios intercedem para que o sacrifício seja revogado.E, assim, o brasileiro fica morando com os minuanos.
Enamorado da jovem índia, casa-se com ela. E dessa bela união, do elemento branco com a indígena, resultou o tipo desse homem extraordinário que se chama gaúcho.
(Extraído de LESSA, Barbosa. Antologia Ilustrada do Folclore Brasileiro)
Uma partida de brasileiros atravessa as verdejantes campinas do Rio Grande do Sul. Impulsionados pela necessidade de braços para as lavouras, buscam o índio.
Hão de avassalar as tribos ocupantes daquela região. Com esta disposição, viajam bem municiados e armados.
Os índios minuanos, avisados pelas sentinelas da aproximação dos brancos, montam em seus fogosos cavalos e, armados de flecha e boleadeiras e lanças, deixam seu acampamento e rumam para as coxilhas.
Ao avistar os brasileiros se aproximando, os índios usam de sua tática de ocultar-se ao longo do dorso dos cavalos. Destarte, dificilmente seriam descobertos pelos inimigos.Imóveis, esperam eles o momento azado para atirar-se sobre os viajantes.
Os brasileiros não são conhecedores dos hábitos e da tática empregada pelos índios habitantes das campinas do Sul. E avistando à distância o bando de cavalos pastando, tomam essa direção, muito senhores de si.
Assim, ao se aproximarem os brasileiros, os índios despencam-se nos seus animais do cimo das coxilhas, em galopada, investindo contra os brancos com furiosa saraivadas de flechas. Respondem estes com tiros de armas de fogo. Nova investida dos índios, agora se servindo-se das lanças, obriga os invasores a fugir em desordem.
Caído por terra acha-se um moço ferido. Ao seu lado uma jovem índia minuano. Fascinara-a a coragem do estrangeiro.O brasileiro sabe da sorte que o espera. E, interrogando a moça quando será sacrificado, responde-lhe esta que nada tema, pois estará a seu lado. Anima-o com palavras confortadoras, cheia de simpatia e compaixão pela sorte do estrangeiro. O prisioneiro é levado para o acampamento dos minuano.
Enquanto esperam que se cure da ferida para sacrificá-lo, dão-lhe toda liberdade sob vigilância das sentinelas.
O jovem branco resolve fazer uma viola. Uma tarde, à sombra de uma árvore, com a pouca ferramenta de que dispõe, a muito custo vai improvisando um rústico instrumento. Inicialmente aparelha, em forma de espessa tábua, uma pau de corticeira. Cava-a dando-lhe a forma de viola. Coloca uma tampa com abertura circular para dar vibração ao som das cordas. Para colar a tampa emprega o grude de parasita sombaré, das árvores da serra. E da própria fibra da parasita ele prepara as cordas para o instrumento.A índia já lhe tem muita amizade e está sempre ao seu lado nas horas de folga. Enquanto o vê trabalhar, canta-lhe suavemente um canto doce e pitoresco da gente minuana.
Ainda não passara um lua, e já, na grande ocara do acampamento, celebra-se o ritual do sacrifício.Amarrado a um tronco está o prisioneiro.
Todos os índios da nação, reunidos em volta dele, dançam e cantam a sua morte. De quando em vez, passam, de mão em mão, cuias contendo delicioso vinho fabricado com o mel eiratim.Há um silêncio de morte em todo o acampamento.
O chefe minuano ordena que soltem o prisioneiro e tragam-no à sua presença.
Fitando o moço bem nos olhos, assim fala o cacique:-Que aos teus irmãos sirva de lição esta última derrota. Que não nos tornem a vir incomodar. Os que vierem nestes campos buscar escravos, hão de ser esmagados pelas patas de nossos cavalos. E tu, pagarás com a morte a tua audácia e a dos teus!Contudo, o chefe minuano diz ao condenado que faça o seu último pedido.Surpreende-se o branco com tal gesto. E, dotado de uma inteligência não vulgar, num relance percebe como poderá livrar-se da morte. Sabendo da emotividade e a influência que exerce a música sobre aquelas criaturas, pede que lhe tragam o seu instrumento de cordas. Quer tocar pela última vez. Cantar uma balada de sua terra.
É a jovem índia quem lhe traz a sua viola, debaixo dos olhares curiosos dos índios.Cheio de fé, o moço pega da viola. Depois de alguns sonoros acordes, entoa uma canção. E o ricto bárbaro daquelas fisionomias rudes transforma-se como por encanto.Ouve-no com enlevo, exclamando a todo instante: - Gaú-che! Gaú-che!... o que significa: gente que canta triste.Sensibilizados pela doce cantiga do condenado à morte, os índios intercedem para que o sacrifício seja revogado.E, assim, o brasileiro fica morando com os minuanos.
Enamorado da jovem índia, casa-se com ela. E dessa bela união, do elemento branco com a indígena, resultou o tipo desse homem extraordinário que se chama gaúcho.
(Extraído de LESSA, Barbosa. Antologia Ilustrada do Folclore Brasileiro)
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