O homem velho deixa a vida e morte para trás
Cabeça a prumo segue rumo e nunca, nunca mais
O grande espelho que é o mundo ousaria refletir os seus sinais
O homem velho é o rei dos animais
A solidão agora é sólida, uma pedra ao sol
As linhas do destino nas mãos a mão apagou
Ele já tem a alma saturada de poesia, soul e rock'n'roll
As coisas migram e ele serve de farol
A carne, a arte arde, a tarde cai
No abismo das esquinas
A brisa leve trás o olor fulgaz
Do sexo das meninas
Luz fria, seus cabelos têm tristeza de neon
Belezas, dores e alegrias passam sem um som
Eu vejo o homem velho rindo numa curva do caminho de Hebron
E ao seu olhar tudo que é cor muda de tom
Os filhos, filmes, livros, ditos como um vendaval
Espalham-no além da ilusão do seu ser pessoal
Mas ele dói e brilha único, indivíduo, maravilha sem igual
Já tem coragem de saber que é imortal
Caetano Veloso
Postagem dedicada ao guardador de carros do Tororó , a Martha que me enviou essa poesia e a Vagner companheiro de jornada.
3 comentários:
Quintana diz que os fotógrafos têm a mesma função dos poetas: eternizar o momento que passa.
Imagine quando o fotógrafo é poeta , eternizando o velho bonito com a pele negra e os cabelos brancos, sob a blusa azul e o céu azul da nossa primavera.
Cara esta foto ficou perfeita, e acompanhada deste poema mais ainda.
Valeu pela dedicatoria, e pode ter certeza que estarei sempre em concordancia com vc para o seu sucesso.
Valeu
Este homem velho é um futuro que, para mim, tomara seja inevitável.
Muito massa!
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